Notícias › 03/05/2021

Famílias e Pobreza Relacional: O Primeiro Relatório da Family International Monitor

Comunicado de imprensa

Família e pobreza: este é o foco sobre o qual o Family International Monitor, criado pelo CISF (Centro Internacional de Estudos sobre Família – Milão/Itália), Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimônio e da Família (Roma/Itália) e a Universidade Católica de Múrcia, na Espanha, concentrou suas atenções nos três primeiros anos de atividade, dividindo a pesquisa em duas vertentes e examinando primeiro a pobreza relacional e depois a pobreza estrutural-econômica.

“O entrelaçamento desses dois elementos é uma prioridade em nível global – explica Francesco Belletti, diretor científico do Family Monitor – como também se pode verificar pela análise dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – Agenda 2030 das Nações Unidas”.

“O trabalho do Family International Monitor – continua Belletti – pretende destacar o papel que as relações familiares atuam na qualificação do status de pobreza das pessoas e na promoção de sua resiliência às dificuldades, condições, também prestando atenção especial aos sistemas de relacionamentos estendidos em torno das famílias, bem como as dinâmicas mais macrossociais, como laços sociais comunitários ou de vizinhança, coesão social e solidariedade de relacionamentos curtos”.

A pesquisa utilizou 90 indicadores agrupados em oito áreas temáticas diferentes que poderiam proporcionar, de uma forma homogênea, uma referência estatística geral para cada país, utilizando o Banco Mundial e as Nações Unidas como fontes prioritárias. Em cada um dos países, também foi identificado um centro de pesquisa, que elaborou um Relatório de País com base em um questionário, tendo em mente quatro aspectos em particular: o da família como ator econômico, como sujeito educativo, como sujeito de cuidado e reciprocidade e como sujeito da cidadania ativa.

Nesse contexto, as relações familiares fazem a diferença, e sua resistência ou fragilidade geram muitos resultados diferentes. Em particular, os dados surgiram com grande clareza para famílias que são particularmente vulneráveis do ponto de vista socioeconômico: aqui a força das relações familiares é um fator decisivo, fator que os impede de cair abaixo da linha da pobreza. Por fim, o relatório revela a grande importância das redes relacionais estendidas, fato que sugere que devemos ir além da consideração da “família nuclear” como a única estrutura definidora. Em particular, nos vários contextos analisados, as relações intergeracionais e a presença de redes relacionais não parentais significativas como vizinhos, amizade, associações e solidariedade são centrais. Do lado oposto, emerge a presença de dinâmicas internas de forte desigualdade entre membros mais fortes em detrimento dos mais fracos, geralmente em favor de homens adultos, em detrimento de mulheres, menores e idosos. Esta dinâmica tende a ser correlacionada com baixos níveis de cultura e marginalidade social. Essa dinâmica de desigualdade redistributiva pode ser contida e combatida por políticas públicas, como a proteção jurídica da mulher no casamento e de menores na família. Os dados da pesquisa indicam que algumas formas familiares são estruturalmente mais frágeis do que outras: entre outras, as mães e pais solteiros, famílias com um ou dois pais adolescentes e famílias numerosas se destacam. Em alguns casos, estas  vulnerabilidades poderiam ser melhor apoiadas por intervenções de bem-estar direcionadas.  O que emerge com clareza da pesquisa é a necessidade de políticas públicas que atuem de forma mais efetiva para neutralizar as fortes condições de desigualdade socioeconômica, que aumentaram nos últimos vinte anos em praticamente todos os contextos nacionais analisados.

 

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